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MAIS UM ABSURDO QUE ENVOLVE O GOVERNO

sábado, 22 de outubro de 2011

UM JARDIM DE LAMAS E BURACOS



    O viaduto sobre a BR-101 que corta o Jardim Catarina, em São Gonçalo, parece dividir o bairro em duas realidades bem diferentes. De um lado, as ruas asfaltadas, do outro, problemas ainda não resolvidos, que vão desde ruas esburacadas, com esgoto a céu aberto. Ainda há muito a ser feito pelo maior loteamento da América Latina.
    Em frente ao Ciep David Quinderê, o comerciante Gladiston dos Santos, 42, reclama do abandono daquele trecho da Avenida Albino Imparato. “Vivo há 16 anos aqui. Os moradores tentam conservar as ruas, mas a natureza é mais forte. Não tem água encanada, tratada e nem esgoto. É tudo interesse político. Muitos professores deixam de vir dar aula aqui por causa do acesso ruim. O povo usa a calçada para passar com o carro, daqui a pouco não tem mais calçada. Me sinto abandonado”, afirmou o comerciante.
   Moradora da mesma rua, Osvaldina Neves, 59, aponta os perigos da região e o descaso com os moradores. “Quando chove não dá nem para passar. Moro aqui há 30 anos e não tenho água, esgoto e, às vezes, tenho que queimar o lixo porque leva 15 dias para o lixeiro retirá-lo. Também temos muitos problemas com dengue e o esgoto é a céu aberto, sem falar nas cobras que entram nas nossas casas. É tudo assim, não tem jeito”, lamenta Osvaldina.
    Na Rua Florentino Giovani, a revolta é ainda maior. Levy de Oliveira, 53, faz duras críticas aos políticos que não cumprem suas promessas. “Moro há 28 anos aqui e nunca vi melhoria. A rua está péssima, cheia de lama, insetos e, quando chove, entra esgoto dentro de casa. O governo não olha para o povo. Quando tem eleição é placa para tudo que é lado. Nem quero mais saber de placa de político na minha casa. O voto não tinha que ser obrigatório, tem que acabar com isso. O pobre tem que se conscientizar e parar de votar. Não era para a gente votar em ninguém, o povo está cansado de ser enganado”, disse Levy, indignado.
       Na  Rua  Noraldino  Rosa,  a  ‘buraqueira’  é  geral.  A  dona de casa  de
   Maristela Souza, 47, lembrou  que,  apesar  de  pagar  as contas em dia, a
   infraestrutura na região é precária. “Meu  sogro  morreu  com  73  anos  e 
   nunca viu a rua asfaltada, meu filho tem 17 e, tomara que   um   dia  veja
   essa rua asfaltada”, afirmou Maristela.

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